Texto/ Zadir Porto
Fotos/ Reginaldo Tracaja
São antigas as conversas: “há um rio subterrâneo em Feira de Santana”, ou “sob Feira tem um braço de mar”. Dizem que “onde há fumaça há fogo”. No caso “onde há água, há um rio ou o mar”. Mas a verdade é que ninguém sabe com exatidão, a não ser que o lençol freático de Feira de Santana já esteve muito próximo da superfície ,tanto que provocou a interdição do Teatro Municipal no bairro Capuchinhos invadido pelas águas e muitos outros imóveis também foram alagadas, em outros pontos da cidade. Água do subsolo. Houve época em que quando alguém ia cavar uma fossa a água irrompia com dois metros de profundidade ou até menos. Com a instalação das redes de esgotos pluviais e sanitários, aparentemente houve um recuo, com as águas do lençol freático baixando.
Mas tudo indica que Feira de Santana tem um grande potencial aquífero, levando em conta o grande numero de nascentes “olhos d’agua”, que proliferavam por todos os pontos da princesa do sertão, a maioria hoje sob o asfalto e a pavimentação a paralelepípedos, mas vivas e passiveis de ressurgirem, como ocorre com um vulcão adormecido, evidente que, guardando-se as proporções. Um exemplo indiscutível está no bairro Mangabeira, ou Conceição Três, há duvidas em relação ao nome do local, embora moradores contestem Conceição e garantam que é Mangabeira.
Em um trecho da futura avenida Ayrton Senna, conjunto Cordeirópolis, uma nascente e eclodiu, há cerca de dois anos, segundo moradores, e água jorra forte e alta ,ininterruptamente, mediante um tubo plástico que foi colocado. Água cristalina, leve e que para vários moradores é mineral. Ali além de recolher água para lavar roupa e outras atividades domésticas, moradores tomam banho e o movimento de carros-pipa é constante. As estudantes Ila Alves Santos e Lismara Santos, afirmam que há mais de dois anos a nascente surgiu. “É água da melhor qualidade todo mundo usa” diz Lismara que mora na Alameda 15.
Risonaldo Oliveira de Jesus, que nasceu no bairro e mora na mesma via, atesta a qualidade da água “ para mim é mineral mesmo. Eu bebo e é excelente” diz. Lamenta a falta de interesse das autoridades pelo assunto. “Estamos aqui abandonados, pagamos água e luz, mas o Correio não vem aqui, o canal de esgotos esta de mato até em cima, com um mau cheiro terrível e nada é feito”. Ele sugere à prefeitura que seja feita canalização da água e construindo um chafariz que iria beneficiar grande número de famílias. “Poderiam ser feitos exames para verificar a qualidade da água, que para mim é boa, e abastecer esta parte da cidade, ou pelo menos auxiliar ao serviço da Embasa”.
O historiador Carlos Mello ressalta que Feira de Santana já foi marcada por inúmeras nascentes de potencial como: Fonte do Mato no Jardim Acácia, Fonte dos Milagres, no bairro Gabriela, Fonte do Mochila, na Macário Cerqueira, Fonte do Valado, no Tanque da Nação, Fonte do Buraco Doce, Queimadinha, Fonte do Lili, na Maria Quitéria e Fonte de São João do Cazumbá, no bairro CIS. Dessas apenas as fontes do Lili e do Milagre ainda existem, as demais desapareceram em função de obras e pavimentação.
Um detalhe interessante é que água da Fonte do Cazumbá era considerada milagrosa e moradores da região faziam romaria até o local. Outras fontes importantes existiam no Tanque da Nação, Horto, Barroquinha, Nagé ,Jardim Cruzeiro, Pedra do Descanso, Barro Vermelho, Centenário, Conjunto Milton Gomes, Conceição e Cruzeirinho da Queimadinha. Segundo Carlos Melo a cidade de Feira de Santana, geograficamente está em uma área entre o sertão e o recôncavo, repleta de nascentes, lagoas e riachos, um verdadeiro complexo hídrico ou aquífero que jamais foi aproveitado pela autoridades.
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